Bom, o fato é que o Leo comprou um roscón de Reyes pra gente. É uma rosca comum, grande, com docinhos que parecem frutas adornando a massa. É muito festiva e todos a compram para celebrar esse dia. Quando estávamos no supermercado, ele virou pra mim e disse que estava com vontade de comer aquilo, então eu falei pra ele que se quisesse comprar, eu o acompanharia na comelança. Estávamos destroçando a coitada da rosca havia dias, até que ontem eu a cortava pra traçar um pedaço e senti uma coisa dura no meio, que a faca pouco cega dos meninos não conseguia cerrar. Tentei de tudo até que desisti e enfiei a mão no meio da rosca (opa!). Tinha uma coisiquinha embrulhada num plástico no meio do doce. Chamei o Leo para vermos juntos o que era e descobrimos que era um reizinho de porcelana! Fiquei super contente porque aquilo era sinal de boa sorte. E realmente havia um bilhetinho dentro da caixa que dizia:
"He aquí el Roscón de Reyes.
Ocultos en su interior hay algunas sorpresas...
Dice la tradición, que quién encuentre el haba pagará tan riquísimo postre (sobremesa). En cambio, quien encuentre el Rey, será coronado con gran alegría ante todos los comensales.
FELIZ ROSCÓN DE REYES"
A haba da qual tratava o recadinho é um fruto duríssimo, que o Leo me disse que tem que deixar na água por dias até amolecer. Ela foi resgatada da rosca há uns dois dias. Quando o Leo a encontrou, deu um grito porque tinha mordido algo estranho e duro. Então o tirou da boca, e vimos que era um espécie de semente. Ele me perguntou como alguém podia deixar aquele troço no meio do doce, na hora nem nos ligamos que era uma haba e que fazia parte da brincadeira, ou que havia uma brincadeira acerca do roscón. Eu naquele dia lhe disse, rindo, que talvez tivesse tirado a sorte grande e a estava atirando no lixo. Pensando nesse aspecto, eu também quase decaptei o reizinho adormecido do meio do doce, bem ontem que necessitava tanto de sorte. Me explico.
Na viagem a Londres e Trondheim, aproveitei para pensar um pouco na vida que eu estou levando aqui em Barcelona. Ou melhor: para pensar nos amores que tenho na cidade. De todos os rolos e enroscos que tive desde que cheguei, sobraram 2: um mezzo chileno mezzo espanhol superjunkie, e um holandês inteligentíssimo mas que é nota 5 na cama. O chileno era (é?) famoso em seu país. Participou de vários programas na televisão do Chile até que decidiu largar tudo e vir morar na Espanha, principalmente em função da relação desastrosa que mantém com sua família (segundo ele, tem uma mãe obsessiva e um irmão podre de rico que não lhe dá a mínima. Sempre desconfio dessas descrições de familiares muito vagas ou estereotipadas, enfim...). Ele é a cara do Alec Baldwin, extremamente divertido, mas bebe demais, cheira demais, fala demais. Ele é pesado. E na cama é OK. Ponto. Mas sair na rua com ele nem pensar: é muito queima-filme por conta desses milhões de contatos com o mundo das drogas. Não dá pé.
Já o holandês é bonitão, alto, cultíssimo. Dirige óperas para o Liceu de Barcelona, o que é chiquetésimo. Está sempre viajando pelo mundo selecionando o elenco das montagens que entrarão em cartaz na cidade. Nos últimos 20 dias esteve nos Estados Unidos, Bélgica e agora está na Grécia. Quando falei com ele ontem, estava de frente para a Acrópole. Ele seria o homem perfeito pra mim não fossem dois defeitinhos cruciais: ele é seriíssimo e mal de cama. Eu sei que essas coisas são solucionáveis e "conversáveis", por isso continuo insistindo no moço. Agora, para o chileno, acho que é game over mesmo. Essa minha afirmação tem a ver com o fato de que fiquei com um menino lindo em Trondheim, apesar de ser o rei da indecisão (porque é muito novo). Ele me deixou tão excitado só de beijá-lo que cheguei à conclusão de que preciso de alguém que me eletrize, me deixe sempre ansioso por querer mais. Além dele, havia um outro tiozinho que se encantou comigo na Noruega. Ele não é feio, mas um pouco velho demais pra mim (deve ter seus cinqüentinhas. Quem me conhece sabe que eu não tenho problema com isso, mas juntando a diferença de idade com o fato de ele morar longe e ainda passar dias e dias trabalhando numa plataforma marinha, concluí que não daria certo).
Mas vou me alongar um pouquinho no tal norueguês porque é uma figura que vale a pena comentar. Eu não sei sua idade real e nem me senti à vontade para lhe perguntar qual era, pois notei que a ele mesmo não lhe apetece falar do assunto. Mas é um tipo muito peculiar. Imaginem vocês que ele trabalha na tal plataforma, para onde vai a cada 25 dias em média (e passa outros 14 em jornadas de 12 horas de ralação). É o tipo de emprego que melhor remunera na Noruega, porque quem atua no ramo tem que estar longe da família, trabalhando sem folga. Não sei exatamente qual é a sua função, mas o tio tem um corpão, magrinho mas saradíssimo. O suficiente para me jogar pra cima no meio de uma pista de dança, literalmente. Foi o que ele fez comigo em Trondheim, imaginem! Tenho essa foto aí pra provar, embora estejamos os dois sem cabeça, porque a câmera da Bia é muito ágil... E me assediou de uma forma tal que quase morri de tesão. Por um triz não fui pra sua casa, mas não queria fazer isso pra não deixar Bia sozinha naquela noite, embora tenha a certeza de que ela não ligaria. E o vestuário do cara é um detalhe à parte: num dia ele estava com cinto de strass... No outro, com uma camisa de cetim fúcsia duvidosíssima! Não fosse esse figurino, eu juro que abstrairia da idade. É o fator idade versus figurino cafona que me deu uma broxadinha. Mas nos mantemos em contato, pois adoro fazer amigos.

Enfim, esse norueguês que mandou bem na dança me fez lembrar como é bom sentir-se atraído por alguém sem que nada se concretize. Curtir essa aura de sensualidade (ai que cafonice... Acho que isso é contagioso!) que fica quando as pessoas estão excitadas, só se tocam mas não chegam a transar. Cheguei aqui precisando disso e não tenho nenhum parceiro com quem exercitar plenamente essa coisa da sedução. Aí ontem um cara com quem eu teclo há dias me procurou. Me chamou para um café na sua casa. Embora ele não fosse meu tipo preferido, fui achando que podia rolar algo.
Quando cheguei lá, fiquei feliz em me lembrar que as fotos enganam. Pro bem ou pro mal, e no meu caso ontem, foi pro bem. O menino é muito mais interessante pessoalmente do que nas fotos que colocou no site. E tem um apartamento lindo, bem decorado. Foi gentil, me mostrou as músicas que curte ouvir, o clima estava bem propício para uma looonga noite de sexo, mas... Creio que ele não gostou de mim. Então falamos animadamente por 3 horas, e nada mais. Pensei que podia ser um ensaio para algo mais sério, já que ele não faz o tipo baladeiro, é "adevogado", trabalha mais que um camelo, só que não rolou. Não sei o que houve. Na dúvida, quando saí de sua casa mandei-lhe um torpedinho, dizendo que tinha adorado estar com ele e, caso quisesse repetir a dose, seria um prazer. Nada. Nenhuma resposta, nem um "gracias". Fiquei triste, voltei pra casa com uma cara péssima. O Leo se assustou comigo quando me viu. Eu tinha saído tão otimista, bem vestido, perfumado, de cabelo cortado. E voltei me sentindo um lixo. Minha auto-estima estava no pé. Aí ele me disse que iria encontrar um amigo suíço e me convidou para acompanhá-lo. Sabadão à noite, pensei "por que não?". Jantamos, comemos a tal rosca de Reyes, quase decapitei o reizinho mago e saímos.
O Leo sempre diz que precisa aprender inglês direito. E precisa mesmo. Ontem ele falou que encontraria o David (seu amigo suíço) na Beer Factory. Não tinha idéia de onde era isso, mas estava sem planos mesmo, então que diferença faria saber para onde íamos ou não? Fomos. O lugar na verdade se chama BEAR Factory. Ou seja, é um local para ursos, que na linguagem gay quer dizer "homem peludo e gordo". Por isso é urso. Não tenho problema com ursos, até me sinto atraído por alguns deles, mas não o suficiente para ir a um lugar dirigido a esse público. Mesmo porque eu tenho tudo a ver com eles, não é mesmo minha gente? E geralmente eles suuper adoram o meu tipo! Quando chegamos lá, não acreditei e disse "Leonardo, eso no es BEER Factory, pero BEAAARRRR Factory, hay una diferencia enoorrmmeee!". Coitado, ele quase caiu pra trás de vergonha. Seu amigo estava lá dentro e um segurança educadíssimo como todos aqui na Espanha que são pouco truculentos nos disse que não poderíamos ficar na porta e quase nos botou pra dentro a pescoções. Quando entramos, todos nos olharam, os tijolos do lugar se viraram pra nós, e até as garrafas do bar se inclinaram e se perguntaram que diabos fazíamos lá. Ou pelo menos foi assim que me senti, com minha camisetinha colada, minhas calças skinny e meus tênis de fã de Madonna. Pensei que ou eu seria espancado ou na melhor das hipóteses currado pela multidão amistosa do local. Era praticamente uma extensão do Canadá, mais precisamente a das províncias do norte povoadas pelos ursos polares e pelos veados campestres, que naquele caso eram eu e Leo.
Ficamos uns 5 minutos (que me pareceram 5 séculos, 5 milênios, 5 eternidades!) procurando David, o tal suíço. Precisávamos nos enturmar com urgência. Quando o descobrimos, estava com um outro menino. Eu achei o suíço uma fofura, e o Leo pirou no acompanhante dele. Detalhe: David é a cara do Rui, marido da Fabi (hahaha!), inclusive com o mesmo nariz, só que uma versão mais fracote e gay do Rui (Fabi, conta isso pros seus filhos, que eles têm um tio bastardo biba que mora em Barcelona!). Eu não entendi o que se passava entre eles, se estavam ficando, se eram só companheiros de balada, enfim. Aí Leo sugeriu que fôssemos pra Arena, uma boate conhecidíssima da população GLS local. Saímos de lá em tempo de preservarmos nossas vidas.
Quando chegamos à Arena, comecei a beber. E bebi. 1, 2, 3, 4 doses de uísque com energético. Lembrando: eu não bebo habitualmente. Logo, se 1 dosezinha já me deixa trilili (em sua homenagem, né Lili?), imaginem 4! Flertava com todo mundo e ainda dava umas pegadinhas no suíço (de leve, porque ainda não sabia o que rolava entre ele e o outro). Resumo da ópera: esquentei o óleo da frigideira a 300ºC e joguei meu filme nela feliz! Me atraquei com um baixinho tesudíssimo e ficamos nuns malhos fuertes por exata 1 hora. Malho, com o perdão do descaramento, de melar a cueca todinha, se é que me entendem... Aí ele me disse que tinha que ir embora e me convidou para ir à sua casa. Eu estava louquíssimo pra transar com ele, mas quando disse a palavrinha mágica "trem" meu tesão diluiu na mangüaça que restava no copo. No way! Eu teria que pegar o trem pra chegar no seu apê, naquele estado? Não ia dar, não é mesmo minha gente? Pedi que ele me deixasse o seu telefone e falaríamos. Ele digitou seu número tão rápido que tive certeza de que estava colocando qualquer coisa no meu aparelho só pra me deixar alegrinho. Então ele se foi e eu fiquei lá, borrachisimo.
Em suma: eu beijei o españolito e sua amiga (siiiim! Até mulher eu beijei!), um irlandês cujo nome não me pergunte, Darren (um inglezinho bonitinho de 18 anos - Jesus! Ele ainda me deixou seu telefone, coitado), e por muito pouco não catei o David com a desculpa de que estava breaco (porque em determinado momento da noite ele me disse que estava ficando com o mosca morta do seu amigo que usava mullet e lentes de contato azuis, trash total!). Será que eu honrei a fama dos brasileiros de fogosos, será? Só faltei mesmo tirar a roupa e dançar no balcão. E o Leo quase desmaiou de tanta vergonha, mas na verdade estava louquinho pra fazer o mesmo que eu sei.
Cheguei em casa às 6h, e para vocês terem uma idéia do meu estado alcoólico, quando deitei na cama vi o mundo girar e tive que me levantar ou encheria a minha cama de vômito, o que não ia ser nada legal... Tomei litros e litros e litros, praticamente uma piscina olímpica de água, dois Mertiocolins e ainda estou breaquinho. Me sinto num maravilhoso iate com balcão. O dia de Reis grita lindo lá fora, o céu está azulíssimo e ainda que eu esteja morrendo de saudades do sol, que não vejo desde o início da minha estadia na Noruega, eu hoje só o vi encarcerado da janela. Não vou sair, a menos que... O españolito gostosito me chame! Afinal a boa notícia ainda não contei: o telefone dele era verdadeiro! No meio da noite a pessoa sem noção aqui mandou uma mensagem pra ele dizendo "Es ese tu teléfono de verdad? Me das mucho morbo (tesão)..."! Vejam que pessoa mais colocada! Trocamos mensagens pornográficas toda a noite, e hoje ele me chamou para ir à sua casa, caso consiga sair cedo do trabalho (ele me disse umas 3 vezes o que fazia, mas a informação foi apagada pela maré de uísque & Red Bull na minha cabeça). Enfim, estou ansioso para que ele me ligue.
Já sei que com ele vai rolar uma sessão de muiiittoo seexxoo animalesco. Quero beijá-lo por 3 horas, amassá-lo por mais 3, esfregar meu corpo no seu corpo meu aquilo no seu aquilo cima embaixo frente verso lado certo e avesso de pé e ponta-cabeça por mais 5 horas, e "finalizar" o processo em outras 2, porque hoje estou mais pra preliminares... Vocês acham que a pessoa aqui está desesperada? Em Barcelona já são quase cinco da tarde, o sol se vai lentamente, mas aí no Brasil ainda é Dia de Santo Reis! Bote o Tim Maia pra cantar (eu já baixei aqui e vou ouvir até o arquivo bichar), faça seus pedidos e curta a vida! Logo conto pra vocês sobre Londres e Trondheim, agora o importante é ser feliz! FELIZ DÍA DE REYES! ;-)
3 comentarios:
Essa sim foi uma noite "a la Ricardo". E é por isso que eu te adoro, amigo!!!
É isso aí! arrase pelos "canthos" de Barça...
Bjs e saudades,
Ma
gente, QUÉ FUERTE!!!! AMEI! ahaza com todos esses machos gringos!
ps. traz um polvorón pra mim?
pps. vc não experimentou polvorón? vai comprar a-go-ra, que é o docinho natalino mais delicioso de todos os universos!
HAHAHAHA,que história hilária!!! "os tijolos do lugar se viraram pra nós, e até as garrafas do bar se inclinaram e se perguntaram que diabos fazíamos lá". MUITO BOM!!!
SUERTE, SUERTE, SUERTE!!!
Tá, eu sei que ter beijado a mulher foi o de menos, mas conta, como foi????
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