Todas as fogueiras, palitos de fósforo e velas que já foram fabricadas e ainda serão queimando ao mesmo tempo e em um só lugar.
Uma cadeia formada por todos os vulcões do mundo escarrando sua lava de milhares de graus até esgotar-se o limite máximo de rocha líquida que há no centro da Terra.
A junção de toda a energia nuclear produzida pelas usinas do planeta explodindo em massa única de calor.
Todos os sóis e estrelas pertencentes à coleção de Deus colocadas numa caixa fechada de zinco.
Toda essa quentura descrita aí em cima é o que me vem à cabeça quando gente de todas as partes – inclusive brasileiros - me conta como foi o verão de 2003 (ou 2004? Foi um verão a que todos se referem como “houve um ano...”, ao menos sei que é recente) aqui em Barcelona. Dizem que usualmente nessa época o asfalto vira uma chapa quente (alguém aí pensou em Rio de Janeiro?) e a cidade se torna uma sauna a céu aberto. Eles então amaldiçoam para todo o sempre o inventor da roupa e invejam ardentemente Adão e Eva, que caminhavam por aí com seus dotes quase a mostra – e bem fresquinhos.
Até o momento eu tive um pequeno vislumbre do que é o calor de verão na Catalunha. A primavera européia é úmida, mais úmida que um brejo matogrossense, ou mesmo que as partes baixas da Cicciolina antes de rodar um filme. Eu, que sempre fui avesso a guarda-chuva, tive que adotar um para não chegar em casa encharcado depois das aulas do máster. Confesso que só o fato de não ter que colocar um casaco pesado já é um alívio, mas calor mesmo, até agora só de brinde. Dizem que eu me arrependerei de dizer a todo momento “quero calor, quero calor”. De qualquer forma, estou seguro que o clima do inferno deve ser bem mais sugestivo que a inocuidade do paraíso.
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1 comentario:
Você me fez lembrar de quando estive em Madri, onde me falaram que na Espanha há '9 meses de inverno e 3 de inferno'.
PS: Não sei em que e-mail posso te contatar, escreve pra mim dizendo. Beijos
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