jueves, 1 de noviembre de 2007

Dois pisos na Torre de Babel

Meus 10 primeiros dias em Barça passei entre os pisos (apartamentos) da Silvia, minha amiga brasileira, e do Alessandro (seu namorado italiano). Como Davy, um dos moradores do piso do Ale (aqui se fala assim, sem acento no "e") estava em Paris (ele é francês, ainda que tenha traços chineses - seus pais são cambodjianos), então pude ficar lá desde a noite de quinta-feira, 11/10, quando cheguei, até o domingo seguinte.

No apartamento do Alessandro vivem, além dele e de Davy, Emilie (francesa) e Marina (espanhola). Ainda que não viva lá, quem também está constantemente na casa do Ale é Sarunas, o namorado lituano de Emilie (que é lin-do). Bem, então lo que pasa es que por todo o tempo minha cabeça se abilolava com tantos idiomas. Entre eles, Emilie e Sarunas se falam em inglês, porque ainda que ela arrase no espanhol, ele solta algumas palavras no idioma de forma sofrível. Com Davy ela fala em francês (os dois são conterrâneos, lembram?). Com Ale ela conversa em italiano (a menina é prodígio e morou dois anos na Itália, antes de se mudar para Barcelona). Já com Marina ela dialoga em castelhano mesmo, porque mal dá pra acreditar que ela não nasceu aqui, de tão perfeito que é seu espanhol. Ela só tropeça no sotaque parisiense quando fala inglês. A única que não fala nada é Amelie, a filha gata de Marina, uma bichana linda, de pêlos muito pretos, olhos verdes e garras pontudíssimas, que ela não tem o menor pudor de mostrar porque as afia diariamente em um pedaço de papelão que algum sádico deixou lá para ela brincar.

Nesse cenário "babelístico", não tinha como não dar um nó na minha cabeça. Isso sem contar os momentos em que andei pelas ruas: Barcelona está cheia de imigrantes, como qualquer grande metrópole mundial. Há muitos chineses, mexicanos, venezuelanos e principalmente paquistaneses por aqui. Os catalães já os chamam carinhosamente (?) de "pacs". Eles são os preferidos daquelas pessoas que se esquecem de abastecer a despensa e necessitam de algum produto de última hora. Ao contrário de São Paulo, aqui quase não há serviços 24 horas. Se você quer comer uma pizza ou um yakissoba às 23h, ou dá sorte de tê-los guardados na geladeira de casa, ou vai ter que comprar em algum pac aberto até tarde. Você acha que eles são nobres de trabalharem até tarde só para satisfazer desejos absurdos nas horas mais impróprias, certo? Errado. As mercadorias que eles vendem custam geralmente o dobro ou o triplo do preço de um mercado popular. Ou seja: os pacs existem só pra você não perder a massa de bolo quando esqueceu de comprar algum ingrediente adicional e já está com o serviço feito pela metade. Apesar disso, os pacs são muito amigáveis, se ajudam mutuamente e são extremamente simpáticos aos brasileiros.

O meu passatempo predileto quando estou num lugar onde não conheço ninguém é descobrir a nacionalidade das pessoas. É sempre uma incógnita. Ontem fui comprar um hidratante para o rosto (porque aqui se bobear a pele "craquela" em horas, ou seja, você fica com tudo descascando. Isso porque ainda estamos em uma das cidades mais úmidas da Europa, às margens do Mediterrâneo), e uma farmacêutica muito atenciosa e branca veio falar comigo. Seu nome é Natalie, e de saída notei que era pálida como porcelana e de olhos muito claros. Perguntei sobre os produtos para homens que haviam na loja e ela me mostrou um, dizendo: "ese es muy bueno porrrque hidrrata y al mismo tiempo cuida de las arrrrugas". Não agüentei e perguntei de onde era, já apostando intimamente que fosse alemã. Nada: ela é belga, de uma cidade ao norte do país. Foi tão convincente e querida que acabei comprando o creme que me indicou. E ainda vou voltar amanhã para comprar um outro, com filtro solar super potente.

Voltando ao apartmento do Ale, no domingo me mudei para o salon (sala de estar) da casa da Sil. Davy voltou da França e eu não podia mais ficar em seu quarto. Como Sil e Ale são vizinhos de parede colada, só empacotei o que havia tirado da mala e praticamente me dirigi ao cômodo do lado. Lá é um piso genuinamente brasileiro: moram além da Sil, Katí (Katia Ciccone, muito chique, ex-hostess do Skye e parente longínqua da Madonna, afinal têm o mesmo sobrenome e Katí tem cidadania italiana), Jessica (também brasileira, linda, que tem um irmão igualmente lindo e que se apresentou há poucos dias na boate Bikini, famosa de Barcelona. Ele era músico de Mariana Aydar no Brasil), Giuli (italiana, guapa e uma gracinha) e Marcello (ou Marce, também italiano e mal-humoradíssimo, o nosso famoso "chico-micrânia", ou "garoto-enxaqueca", como preferirem. Apesar da nuvem negra que sobrevoa diariamente a sua cabeça, ele tem um coração muito bom). Já conhecia a dona da casa e Katí (pois são amigas do Gustavo, meu ex-namorado), e rapidamente fiz amizade com os demais moradores. Mesmo estando na sala e eles chegando cada um no horário mais louco que o outro (de madrugada, inclusive, porque Sil e Katí são camareras - garçonetes - e trabalham à noite, até tarde), dormia feito uma pedra e os dias que passei lá foram muito bons para que pudéssemos conversar e descobrir mais sobre os outros.

Apesar de toda a hospitalidade com que me trataram, era hora de eu arrumar meu próprio piso. O melhor para isso aqui em Barcelona é procurar num site chamado loquo.com. Há vagas de todo tipo, inclusive de scort-boys (é divertido ficar vendo os anúncios com foto e tudo), e quartos que ficam vagos na cidade existem a todo momento. De tanto procurar a pé na primeira semana (ainda não me sentia muito confortável com o metrô daqui), acabei rompendo meu tendão esquerdo, que ficou muito inchado por dias a fio. Eu trouxe um par de botas e outros 2 de tênis, além de chinelos e sandálias. Nesse período só podia andar de botas, porque os tênis pegavam exatamente no meu tornozelo, que estava gigante. E a busca por habitación (quarto) é horrível, há cada coisa nesse mundo, minha gente... Conto num dos próximos posts. Por hoje é só.

No hay comentarios: